Em artigo publicado
nesta quinta-feira (19), no O POVO, o professor de Ciências Políticas, Pedro
Henrique Chaves Antero, critica a postura dos deputados estaduais nas
manifestações de servidores do Estado. Para o professor, na esperança de cargos
e benefícios, os parlamentares perfilham-se ao lado do governador. Confira:
Mais
uma vez se constata, no Ceará, a inapetência da maioria dos deputados para o
efetivo trabalho da representação política. Há pouco tempo isso ficou claro por
ocasião da greve dos professores. Somente dois ou três deputados estavam a par
das reais dificuldades e anseios da categoria. O sindicato dos professores
caminhava sozinho enquanto a quase totalidade dos parlamentares perfilhava-se
ao lado do governador, na esperança de cargos e benefícios.
Agora, foi a vez da Polícia Militar.
Apenas o deputado federal Chico Lopes surgiu como um dos mediadores nessa
questão. Segundo Alan Neto, o dia 3 de janeiro ficará marcado para sempre no
calendário de Fortaleza. Foi o dia em que a cidade parou e o Abolição, segundo
o colunista, ficou de quatro.
Nada
justifica a omissão da Assembleia e do Poder Executivo nesse “affair” policial.
A ausência dos representantes do povo e o silêncio do governador, nesse
incidente de consequências imprevisíveis, são fatos inéditos no Estado. Nunca
se viu tanta distância da Assembleia Legislativa em relação às aspirações
coletivas e tanta indiferença do governador ao grito das ruas.
É obvio que as omissões do Executivo e
do Legislativo não justificam as ações criminosas da Polícia nem a violação da
Constituição Federal. A ação policial foi além dos limites legais e violentou o
bom senso e a oportunidade de fazê-la. Entretanto, o episódio serviu, pelo
menos, para derrubar a arrogância do governante e lembrar que o Legislativo
deve representar o povo e estar atento às suas causas e interesses.
É
lamentável que a ordem e a autoridade públicas tenham sido jogadas ao chão e o
povo ficado refém de bandidos e marginais. Mas é preciso lembrar, também, que
os erros devem ser corrigidos e as lições aprendidas. Essas, sobretudo, devem
ser estendidas ao Brasil inteiro, pois ordem e autoridade só são asseguradas
quando fincadas na liberdade, na ética, na justiça e no Estado de direito. O
Brasil não estará seguro enquanto não der um basta na corrupção, na mentira e
na imoralidade. (Blog do Eliomar)
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