A montanha de expectativas que se formou após o atentado contra a vida de Jair Bolsonaro produziu uma grande decepção para quem planejava converter facada em anabolizante eleitoral. O Datafolha informa que o índice de intenção de votos do capitão não explodiu. Apenas oscilou dentro da margem de erro, de 22% para 24%.
A aversão a Bolsonaro revelou-se mais forte do que a comoção. A taxa de rejeiçãoao candidato subiu quatro pontos. Hoje, 43% dos eleitores declaram que jamais votariam nele. Em consequência, o capitão perde para qualquer adversário que se defronte com ele no segundo turno, exceto o petista Fernando Haddad, com quem está empatado. Quer dizer: Bolsonaro continua sendo um adversário dos sonhos para um segundo round.
As novidades nesse meio de campo, Ciro Gomes foi de 10% para 13%, ultrapassando Marina Silva, que despencou de 16% para 11%. Mantida a tendência, Marina tende a ficar pelo caminho. E Ciro, apesar das rasteiras que recebeu de Lula, pode tornar-se um osso duro de roer para o PT.
Eis outra novidade relevante: como esperado, Fernando Haddad tomou o elevador. Depois que Lula foi retirado do páreo pela Justiça Eleitoral, o estepe petista subiu de 4% para 9%. Encostou em Geraldo Alckmin, cujo desempenho continua pífio.
Hoje, o maior problema de Alckmin é a fidelidade do eleitorado de Bolsonaro. Se não recuperar a simpatia dos eleitores tradicionais do tucanato, Alckmin terá dificuldades para alçar voo. Restará ao PSDB, antes um pólo cativo nas disputas contra o petismo, assistir à disputa que se esboça entre Haddad e Ciro pelo espólio de Lula.

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