Nas
últimas sucessões presidenciais, sempre que tratavam da formação de alianças,
os tucanos estufavam o peito como uma segunda barriga para anunciar, antes de
qualquer negociação, que dispunham de um parceiro cativo: o DEM. Pois bem. Na
quinta-feira, o DEM lançará seu próprio candidato ao Palácio do Planalto: o
presidente da Câmara, Rodrigo Maia.
Além de lidar com um problema velho –a falta de unidade do PSDB—
o tucano Geraldo Alckmin se depara com um desafio novo: antes de seduzir o
eleitor, ele precisa convencer o mundo da política de que vai conseguir
levantar voo. Depois do flerte infrutífero de Fernando Henrique Cardoso com
Luciano Huck, o lançamento da candidatura de Rodrigo Maia é a principal
evidência da debilidade política de Alckmin.
Espremido à direita por Jair Bolsonaro e à esquerda pelo poste a
ser patrocinado pelo inelegível Lula, Alckmin tem dificuldades para montar uma
coligação partidária que lhe forneça um palanque eletrônico confortável.
Rodrigo Maia retira do cesto de alianças de Alckmin três partidos: o próprio
DEM e as duas legendas que se associaram a ele: PP e Solidariedade. Pelas
pesquisas, a chance de Maia presidir o país é muito pequena. Mas ele entra na
disputa como candidato favorito a bagunçar um pouco mais o projeto eleitoral de
Geraldo Alckmin.
Sob diferentes denominações, o DEM está no poder desde a chegada das cavarelas de Pedro Álvares Cabral a Porto Seguro. Após amargar um jejum de 13 anos nas administrações do PT, o partido está novamente no poder. Mas lhe falta o governo. E Rodrigo Maia avalia que, se não tentar a sorte na conturbada conjuntura de 2018, seu partido não encontrará nova chance tão cedo. Ele tem 1% das intenções de voto.

Nenhum comentário:
Postar um comentário