Por sua prática cotidiana e pela seriedade que se autoatribui, Dilma Rousseff podia ser opositora de si mesma. Nesta quinta (31), a presidente sancionou sem vetos a lei que inibe o troca-troca partidário. No mesmo dia, recebeu em seu gabinete o abriu seu gabinete Eurípedes Júnior, presidente do Pros.
O objetivo da lei sancionada por Dilma é o de inibir o surgimento de legendas como o Pros. Parlamentar que trocar de partido não vai levar sua cota de tempo de propaganda no rádio e na tevê nem sua parcela da verba do Fundo Partidário. Arrancando-se o código de barras da lapela dos deputados, fecha-se o balcão.
Criado antes da nova lei, o Pros dispõe de dinheiro e de tempo de propaganda. Por isso Dilma cavou espaço em sua agenda para encaixar o ex-vereador de Planaltina de Goiás Eurípedes, que estava acompanhado dos deputados Givaldo Carimbão (AL) e Hugo Leal (RJ).
O Pros sonha com um ministério. E Dilma, insatisfeita com a perspectiva de conquistar quase todo o tempo de propaganda da eleição de 2014, quer um pouco mais. Para sorte de Dilma, o Pros se define como “independente”, mas é uma legenda flexível. “Tem de tudo aqui dentro”, já declarou o presidente Eurípedes.
Menos de 48 horas antes de Dilma receber o Pros, Lula dissera o seguinte ao discursar numa sessão em sua homenagem na Câmara: “Nada contribui tanto para desmoralizar a política do que ver partidos atuando como reles balcões de negócios, alugando prerrogativas como tempo de proganda e o acesso a fundos públicos.”
No papel de presidente séria, Dilma bate palmas para Lula. Mas na pele de opositora de si mesma, a candidata à reeleição encosta o abdômen no balcão para se inteirar do preço do aluguel.
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