Há
três anos o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking de consumo de agrotóxicos
no mundo. Um terço dos alimentos consumidos cotidianamente pelos brasileiros
está contaminado pelos agrotóxicos, segundo alerta feito pela Associação
Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), em dossiê lançado durante o primeiro
congresso mundial de nutrição que ocorre no Rio de Janeiro, o World Nutrition
Rio 2012, que terminou ontem (1º).
O documento destaca
que, enquanto nos últimos dez anos o mercado mundial de agrotóxicos cresceu
93%, o brasileiro aumentou 190%. Em 2008, o Brasil ultrapassou os Estados
Unidos e assumiu o posto liderança, representando uma fatia de quase 20% do
consumo mundial de agrotóxicos e movimentando, só em 2010, cerca de US$ 7,3
bilhões - mais que os EUA e a Europa.
Riscos
para a saúde
O
dossiê revela ainda evidências científicas relacionadas aos riscos para a saúde
humana da exposição aos agrotóxicos por ingestão de alimentos. Segundo Fernando
Carneiro, o consumo prolongado de alimentos contaminados por agrotóxico ao
longo de 20 anos pode provocar doenças como câncer, malformação congênita,
distúrbios endócrinos, neurológicos e mentais.
Um fato alarmante foi a
constatação de contaminação de agrotóxico no leite materno, afirmou. Para o
cientista, não se sabe ainda ao certo as consequências para um recém-nascido ou
um bebê que está em fase inicial de formação. “Uma criança é altamente
vulnerável para esses compostos químicos. Isso é uma questão ética, se vamos
nos acostumar com o nível de contaminação do agrotóxico”, criticou.
Parte
dos agrotóxicos utilizados tem a capacidade de se dispersar no ambiente, e
outra parte pode se acumular no organismo humano, inclusive no leite materno,
informa o relatório. “O leite contaminado ao ser consumido pelos recém-nascidos
pode provocar agravos a saúde, pois os mesmos são mais vulneráveis à exposição a
agentes químicos presentes no ambiente, por suas características fisiológicas e
por se alimentar, quase exclusivamente, com o leite materno até os seis meses”,
destaca o estudo.
Jornal O Estado
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