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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Tanajuras fazem a festa na Serra da Ibiapaba


Nestes dias de chuva, vê-se em toda Serra da Ibiapaba alegria geral. Mulheres, homens, jovens e crianças aproveitam  para pegar tanajuras.

Tendo origem em hábitos indígenas, o costume foi assimilado e hoje as formigas são consumidas em farofas ou ao natural – alimento cru, sem misturas -, torradas com água e sal, como aperitivo, acompanhando bebidas fermentadas ou destiladas. Há, ainda, relatos de outros modos de preparar o alimento, como é o caso do prato composto por abdomens ovados de tanajuras com arroz e feijão, sendo aí a formiga utilizada como substituto da carne.

A parte comestível é o abdômen da formiga, popularmente, a “bunda de tanajura”. A preparação mais apreciada e relatada ensina que devem ser lavadas e fritas em sua própria gordura, manteiga, banha ou óleo, para ficarem crocantes, adicionando-se, então, pimenta do reino e sal.
Na verdade, a "bunda" é o abdômen da formiga

Sua captura é um ritual que mistura diversão, subsistência e prazer. Elas saem dos formigueiros e sobrevoam a cidade. Em bandos, as pessoas munem-se de seus instrumentos: galhos e gravetos, vasilhas com tampa… para que não escapem. Como têm ferrões, é valorizada a habilidade de retirá-los, para evitar as picadas.

O produto da captura é para consumo próprio e para venda em bodegas e bares, onde são usadas como tira-gosto. O que há de mais moderno é que podem ser congeladas para utilização em festividades como o carnaval, acompanhando cervejas ou cachaças da Serra.

Com as novas técnicas de conservação, as tanajuras passam a ser mantidas para além de sua sazonalidade. Em casa, são compartilhadas por todos os membros da família. Na rua, são partilhadas em mesas de bares e restaurantes, entre amigos.

Mas o Professor Bebel não recomenda, pois imagine comer um abdômen (bunda) repleto de tanajurinhas novas! O diabo é que eles estão comercializando a cerca de R$ 30,00 o quilo.

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