Nestes dias de chuva, vê-se em toda Serra da Ibiapaba alegria geral. Mulheres, homens, jovens e crianças aproveitam para pegar tanajuras.
Tendo origem em hábitos indígenas, o costume foi
assimilado e hoje as formigas são consumidas em farofas ou ao natural – alimento cru,
sem misturas -, torradas com água e sal, como aperitivo, acompanhando bebidas
fermentadas ou destiladas. Há, ainda, relatos de outros modos de preparar o
alimento, como é o caso do prato composto por abdomens ovados de tanajuras com
arroz e feijão, sendo aí a formiga utilizada como substituto da carne.
A parte
comestível é o abdômen da formiga, popularmente, a “bunda de tanajura”.
A preparação mais apreciada e relatada ensina que devem ser lavadas e fritas em
sua própria gordura, manteiga, banha ou óleo, para ficarem crocantes,
adicionando-se, então, pimenta do reino e sal.
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| Na verdade, a "bunda" é o abdômen da formiga |
Sua
captura é um ritual que mistura diversão, subsistência e prazer. Elas saem dos
formigueiros e sobrevoam a cidade. Em bandos, as pessoas munem-se de seus
instrumentos: galhos e gravetos, vasilhas com tampa… para que não escapem. Como
têm ferrões, é valorizada a habilidade de retirá-los, para evitar as picadas.
O produto da captura é para consumo próprio e para
venda em bodegas e bares, onde são usadas como tira-gosto. O que há de mais moderno é
que podem ser congeladas para utilização em festividades como o carnaval,
acompanhando cervejas ou cachaças da Serra.
Com as
novas técnicas de conservação, as tanajuras passam a ser mantidas para além de
sua sazonalidade. Em casa, são compartilhadas por todos os membros da família.
Na rua, são partilhadas em mesas de bares e restaurantes, entre amigos.
Mas o Professor Bebel não recomenda, pois imagine
comer um abdômen (bunda) repleto de tanajurinhas novas! O diabo é que eles estão comercializando a cerca de R$ 30,00 o quilo.

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