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quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Bolsonaro pede urnas 'auditáveis' e entrega emenda$ inauditáveis ao centrão

 

Destemido nas afrontas que faz ao Judiciário, Bolsonaro tornou-se um ex-corajoso no seu relacionamento com o centrão. Na última sexta-feira, o presidente vetou as emendas orçamentárias secretas na lei que projeta o Orçamento da União para 2022. 

Os caciques do centrão informaram ao Planalto que a República tremeria se o veto presidencial fosse mantido. Bolsonaro recuou, abrindo a porteira para que os parlamentares do centrão e assemelhados enviem verbas do Tesouro para seus prefeitos de estimação por meio de emendas em que os nomes dos patronos são mantidos no escuro. 

A tentativa de Bolsonaro de barrar a farra orçamentária foi atribuída à irritação do presidente com a votação em que a Câmara sepultou a proposta que instituía o voto impresso. Dois caciques do centrão —o presidente da Câmara Arthur Lira e o chefe da Casa Civil Ciro Nogueira— sinalizaram que seria melhor o presidente tomar um calmante. E Bolsonaro, de olho no semáforo do impeachment —aquele que Lira disse ter evoluído do verde para o amarelo— preferiu recuar a correr o risco de ultrapassar o sinal vermelho.

As urnas eletrônicas, como se sabe, são seguras e auditáveis. Mas Bolsonaro mantém sua pregação pelo voto impresso. Simultaneamente, entrega à turma do centrão emendas orçamentárias inauditáveis. No Orçamento de 2021, as emendas secretas custaram ao contribuinte R$ 18,5 bilhões. Somando-se essa cifra às emendas individuais (R$ 9,7 bilhões) e às de bancada (R$ 7,3 bilhões), os parlamentares manusearam R$ 35,5 bilhões. Isso equivale ao custo anual do Bolsa Família. Os valores do Orçamento de 2022 serão definidos até dezembro. Com seu recuo, Bolsonaro alugou por pelo menos mais seis meses a chave do gavetão onde Arthur Lira esconde mais 130 pedidos de impeachment.

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