O escritor italiano Giuseppe di Lampedusa, autor do livro 'O Leopardo', cunhou um raciocínio que traduz com perfeição o sentimento que guiou Jair Bolsonaro na troca de comando da Saúde. Disse o escritor: "Se você quer que as coisas fiquem como estão, as coisas terão que mudar". Pressionado por aliados do centrão a substituir Eduardo Pazuello, o presidente cedeu o pescoço do general para manter a sua estratégia na pandemia. Ganhou tempo. Mas não tranquilizou seus apoiadores.
Bolsonaro
conversou com uma dupla de cardiologistas. Entre Ludhmila Hajjar, apoiada pelo
centrão, e Marcelo Queiroga, indicado pelo filho Flávio Bolsonaro, o presidente
optou pelo candidato do primogênito. Ludhmila representaria uma guinada na
Saúde. Ela é avessa à cloroquina, adepta do isolamento social e entusiasta da
ideia de instalar em Brasília um gabinete de crise. Queiroga apresentou-se como
ministro da "continuidade".
Nas palavras
de Bolsonaro, Queiroga dará "prosseguimento a tudo o que o Pazuello fez
até hoje", porque o trabalho do demitido "está muito bem feito."
Para a cúpula do centrão, a pandemia já impõe prejuízos políticos a Bolsonaro.
Os parlamentares governistas temem ser contaminados pelo vírus que produz a
impopularidade.
A cúpula do
centrão avalia que Bolsonaro fez um movimento correto ao se converter às
vacinas. Mas o movimento foi tardio. E a vacinação a conta-gotas mantém as UTIs
abarrotadas. Enquanto a imunização coletiva não vem, é preciso recorrer a
estratégias como o isolamento social, que Bolsonaro abomina. Um dos líderes do
centrão utiliza uma analogia feita pelo próprio próprio Bolsonaro se queime.
Políticos do centrão são capazes de tudo, exceto de acompanhar governantes em
processo de autocombustão.

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