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quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Bolsonaro encosta sua 'nova política' no bom e velho PMDB


Quando em campanha, o Capitão tratou a política como sendo a segunda profissão mais antiga do mundo (a primeira é a prostituição). Já enquanto presidente, o mesmo se esforça para demonstrar que ela parece muito com a primeira.


Quando candidato, vendeu-se como opção antissistema. Já como Presidente, o capitão se acerca com o bom e velho PMDB, um partido que pode ser a favor de tudo ou absolutamente contra qualquer outra coisa, desde que seus desejos sejam atendidos.

Neste arranca-rabo com o PSL, Bolsonaro resolveu tirar sua ex-amiga Joice Hasselmann do posto de líder do governo no Congresso e em seu lugar, nomeou o Senador Eduardo Gomes (MDB-TO). Ele faz dobradinha com o senador Fernando Bezerra (MDB-PE), líder do governo no Senado.

O agora líder do governo é muito ligado ao multi-investigado Renan Calheiros (MDB-AL), adepto da operação Abafa a Jato e defensor do “Lula Livre”. Já Fernando Bezerra, veio do PSB, apoiou Lula e Dilma, e agora é cliente da Lava Jato. Mês passado recebeu visita da Polícia Federal em seu apartamento.

Gomes e Bezerra apoiam Bolsonaro mais como sobrevivência política do Capitão do que a articulação de reformas modernizantes. Principalmente agora, que surge uma pergunta incômoda: Bolsonaro termina o mandato? Os emedebistas oferecem acesso ao Capitão aos nichos mais arcaicos do Legislativo, como o pessoal do Centrão.

Ele preocupa-se com o Centrão, não é coisa banal. Foi o Centrão junto com o PMDB que mandaram Dilma mais cedo pra casa. Gomes entrou no MDB  a convite de Renan.

A exemplo do sapo de Guimarães Rosa, não é por boniteza, mas precisão mesmo que Bolsonaro encosta sua “nova política” no velho e bom MDB. Com 28 anos de experiência como deputado, o Capitão não se importa de tornar a política, segunda profissão mais antiga do mundo, mas parecida com a primeira.


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