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terça-feira, 18 de setembro de 2018

General Mourão agora dá preconceito em cachos

O general Hamilton Mourão, vice na chapa de Jair Bolsonaro, inovou. Passou a dar preconceitos em cachos. Numa frase, ofendeu simultaneamente três nichos sociais capazes de fazer a glória ou o infortúnio de uma chapa presidencial: mulheres e gays em particular, pobres em geral.
O número dois da chapa de Bolsonaro discorria numa palestra sobre a importância da preservação do núcleo das famílias. Para ele, há uma crise de costumes no mundo. Queixou-se da dissolução familiar provocada por “agendas particulares que tentam impor ao conjunto da sociedade''. Parecia referir-se à união entre casais do mesmo sexo.
Sobre o Brasil, Mourão sapecou: ''A partir do momento em que a família é dissociada, surgem os problemas sociais. Atacam eminentemente nas áreas carentes, onde não há pai e avô, é mãe e avó. E, por isso, torna-se realmente uma fábrica de elementos desajustados que tendem a ingressar nessas narco-quadrilhas''.
Famílias heterodoxas existem em todos os estratos sociais. Supor que só as carentes dão defeito é demofobia (pode me chamar de aversão ao povo). Nos programas sociais, o dinheiro e o título de propriedade são repassados sempre às mulheres, pois são elas o esteio da maioria das famílias. Imaginar que pais e avôs são melhores que mães e avós é machismo sem causa.
De resto, tratar famílias pobres e heterodoxas como usinas de marginais é uma desinformação homofóbica que não recomenda um candidato à vice-presidência do país. A “fábrica de elementos desajustados” está nas residências abastadas, não está nos lares pobres —sejam eles comandados por mulheres ou homens, gays ou héteros.

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