O fascínio de Dilma Rousseff pelas apostas arriscadas voltou a se manifestar na disputa pelo posto de líder do PMDB na Câmara. A presidente joga o peso do seu governo na recondução do deputado Leonardo Picciani (RJ). Com isso, reforça o conteúdo oposicionista que atribui à candidatura de Hugo Motta (PB), vinculado ao presidente da Câmara Eduardo Cunha. O embate está marcado para as 15h desta quarta-feira (17).
Num esforço para demonstrar moderação, Hugo Motta tocou o telefone para o ministro petista Ricardo Berzoini na manhã desta terça, véspera da eleição. Perguntou ao coordenador político do Planalto se é verdade que o ministro Marcelo Castro (PI), deputado licenciado do PMDB, deixará sua pasta por um dia apenas para votar em Picciani.
“A ordem da presidente Dilma é que governo não deve entrar nessa discussão, a não ser que esta seja a vontade pessoal do ministro Marcelo Castro”, respondeu Berzoini. “Não é o governo que está patrocinando.”
Aliado de Motta, o deputado Lúcio Vieira Lima enxerga nas palavras de Berzoini o mapa do caminho conduz ao brejo. “Se o ministro da Saúde vier, em meio a um surto de microcefalia, não será por vontade pessoal. Quem demite e nomeia é a presidente da República. Isso não ajuda a presidente a recuperar sua credibilidade. Como creio que iremos ganhar, o ministro não precisa nem voltar para o cargo.”
Além do reforço do ministro da Saúde, Picciani providenciou a volta de dois deputados peemedebistas que estavam representados na Câmara por suplentes. De resto, retornaram à Câmara para reforçar sua infantaria o secretário de Governo da prefeitura do Rio, Paulo Carvalho, e o secretário de Esporte do governo fluminense, Marco Antônio Cabral.
Lúcio Vieira Lima ironiza: “O Rio pode mandar o Cristo Redentor para a Câmara. Picicani vai perder.” Hugo Motta faz as contas: “Tínhamos uma bancada de 70 deputados e precisávamos de 36 votos para vencer. Com as últimas movimentações, a bancada passou a ter 71 membros. Continuamos precisando dos mesmos 36 votos. Temos uma folga de dois ou três votos. E trabalharemos mais até a hora da votação”.
Picciani e seus correligionários também cantam vitória. Numa disputa renhida, que prenuncia um triunfo por margem estreita, os dois lados receiam as traições. O voto é secreto. Seja qual for o resultado, o PMDB da Câmara continuará trincado. Nesse cenário, a presença de Dilma nos bastidores do embate faz lembrar uma trapalhada que até hoje produz efeitos.
Na disputa pela presidência da Câmara, o Planalto enxergava em Eduardo Cunha um candidato vigoroso. Ainda assim, Dilma e seu governo saltaram na frigideira representados pelo petista Arlindo Chinaglia. Deu no que deu. Cunha era um aliado tóxico do governo. Virou um oposicionista. Hoje, crivado de investigações, Cunha pega em lanças para tentar impor nova derrota ao Planalto. Josias de Souza
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