Há muito tempo, sabe-se que a gravidez
precoce pode ser atribuída a uma enorme gama de fatores, mas apenas em ínfimos
casos a falta de informação sobre prevenção é um deles. No Ceará, os índices de
gestações em garotas na faixa etária que vai até os 18 anos vêm caindo de forma
progressiva nas últimas décadas, redução que pode ser atribuída,
principalmente, à ampla divulgação das campanhas de conscientização e à
distribuição gratuita de contraceptivos na rede pública de saúde. Com isso, de
2005 para 2012, a quantidade de partos em adolescentes cearenses passou de
32.174 para 25.996, conforme a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa).
A queda é de quase 20%. Ainda assim,
os números são altos. Somente no passado, as pequenas mães, algumas beirando a
infância, deram à luz mais de 26 mil bebês, aproximadamente 21% de todos os
nascidos vivos no Estado, de acordo com o Sistema de Informações de Nascidos
vivos (Sinasc). Mas, se a grande maioria dos especialistas em natalidade afirma
que os métodos anticoncepcionais são conhecidos, o que leva tantas garotas a
engravidarem antes de atingirem a fase adulta, sem possuírem independência
financeira e, sobretudo, estabilidade emocional para cuidar de uma criança?
Segundo Adolfo Serripierro,
ginecologista, "Elas não engravidam por acaso. A maioria conhece os
métodos, mas não liga. Eu pergunto: ´você se protegeu?´, e as meninas respondem
´Ah, esqueci´. Mas também acontece de, por afeto ao parceiro, elas deixarem de
se prevenir", explica o médico. (Diário do Nordeste)
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