O
projeto da "cura gay" que tramita na comissão presidida pelo deputado
do PSC é criticado pelo Conselho de Psicologia.
O
último trio elétrico da 17ª Parada Gay, que será realizada no dia 2 de junho na
Avenida Paulista, em São Paulo, vai protestar contra pessoas que tentaram
diminuir os direitos conquistados pelos homossexuais. O deputado federal e
pastor Marco Feliciano (PSC-SP), que colocou na pauta da Comissão de Direitos
Humanos da Câmara, da qual é presidente, a votação do projeto chamado de
"cura gay", será lembrado durante a manifestação.
"Não queremos retrocesso como tem sido imposto por religiosos
e fundamentalistas", afirmou ontem o presidente da Associação da Parada do
Orgulho GLBT, Fernando Quaresma.
O diretor-executivo da associação, Nelson Matias, afirmou que o
trio elétrico será em protesto contra todos os "infelicianos".
"O quadro é caótico em Brasília com a presença do Feliciano na Comissão de
Direitos Humanos. Mas ele é só a ponta do iceberg", disse. "Se todos
fossem considerados cidadãos, a gente não precisaria estar tomando as ruas.
Estamos vivendo uma era de retrocesso, uma era das cavernas". O tema
da parada este ano será "Para o armário nunca mais! União e
Conscientização na luta contra a homofobia".
Psicólogos: O
Conselho Federal de Psicologia (CFP) já se manifestou contra o projeto sobre cura
da homossexualidade que entrou na pauta da Comissão de Direitos Humanos. O CFP
considera a matéria inconstitucional. A Resolução CFP 001/99 orienta
profissionais da área a não usar a mídia para reforçar preconceitos contra os
homossexuais nem propor tratamento para curá-los.
O presidente do CFP, Humberto Verona, considera o projeto
inconstitucional. "A atuação profissional, desta forma, deve estar
vinculada diretamente ao respeito, proteção e expansão dos direitos de todos os
cidadãos, independente de sua identificação étnico-racial, de gênero ou de
orientação sexual", disse.
A homossexualidade deixou de constar no rol de doenças mentais
classificadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) há mais de 20 anos, no
entanto, ainda há pessoas que insistem em tratá-la como patologia e propõem
formas de cura. (Diário
do Nordeste)
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