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sexta-feira, 5 de abril de 2013

No Seridó, nanismo e pasto de pedregulho

 "Olha, para dizer a verdade, nunca ouvi falar sobre essa história de desertificação. Sei que a situação por aqui não anda nada boa. Só piora a cada seca. Há alguns anos, tinha um pouco de forragem para os animais. Agora, é isso que se vê, muita pedra no chão", exclama o agricultor Francisco Assis de Medeiros, de 67 anos, proprietário do Sítio Cajazeiras, localizado em São José do Seridó, distante 227 quilômetros de Natal.

Prejuízo
Ironicamente, o gado fica a rodar à procura do pasto. Todos os dias, seu Francisco leva a ração que compra e a coloca no solo. "O prejuízo é grande. Já estou há mais de um ano tirando dinheiro do bolso para comprar a alimentação dos animais. Não dá sequer para empatar. O custo aqui é de R$ 2 mil por mês. A produção de leite e queijo está rendendo abaixo disso", assegura.

Para fazer face ao problema, o homem do campo já adiantou que adotará uma postura comum nos períodos de estiagem. "Quando não tiver mais de onde tirar, as economias acabarem, vou vendendo um animal para ir salvando os outros. Vou fazer isso até não restar mais nenhum. Se não fosse pela minha aposentadoria, já teria desistido pois a terra parece não responder mais como antes".

No que diz respeito ao manejo incorreto do solo, seu Francisco é enfático. "A gente pode até estar agindo de forma errada. Mas o fato é que temos de fazer alguma coisa para viver. E por aqui não há outra alternativa".  (Diário do Nordeste)

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