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quarta-feira, 13 de março de 2013

PSC decide manter pastor à frente de comissão


O Partido Social Cristão, legenda que abriga em seus quadros o deputado-pastor Marco Feliciano (SP), comprova: é errando que se aprende. A errar. Em reunião realizada nesta terça-feira, a bancada cristã mostrou que, em Brasília, entre o certo e o errado há sempre espaço para mais desacertos.
A despeito de tudo e de todos, o PSC decidiu manter Feliciano na poltrona de presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Decisão unânime, informou o líder do partido, deputado André Moura (SE). Presente à reunião, Feliciano deixou a sala sem falar aos repórteres.
Nesta quarta (13), a Comissão de Direitos Humanos realiza sua primeira sessão deliberativa desde que Feliciano foi confirmado como presidente. A pauta estava definida desde o ano passado. Incluía dois projetos que desassossegam a bancada da Bíblia. Um trata do crime de preconceito de raça, cor, etnia e religião. Outro propõe um plebiscito sobre a união civil de homossexuais.
Reenergizado por seu partido, Feliciano retirou os projetos da pauta. Polêmico, deseja fugir da polêmica. Refeita, a pauta agora prevê a votação de oito requerimentos, quatro dos quais de autoria do próprio pastor. Sugerem a realização de audiências públicas para debater temas variados –do drama dos moradores de rua à violência sexual contra crianças.
Enquanto Feliciano e o PSC fingem que nada sucede ao redor, um grupo de parlamentares protocolou no STF mandado de segurança pedindo a anulação da sessão que ratificou o pastor como presidente. Entre outras coisas, alega-se que brasileiros que se manifestavam na Câmara foram impedidos de entrar na comissão. O que seria ilegal.
É improvável que o Supremo se anime a meter a colher nesse caldeirão. Se prevalecer a tradição, o tribunal deve responder que a escolha de dirigentes das comissões é assunto interno do Congresso. Em última análise, a culpa é de Deus, que não fez um mundo inteiramente de vidro. (Josias de Sousa)

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