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terça-feira, 12 de março de 2013

Desagravo de pastor é suplantado por protesto



Lançada no sábado e reiterada no domingo, saiu pela culatra a convocação que o deputado-pastor Marco Feliciano (PSC-SP) fizera para o ato de desagravo a si mesmo. Convocados para uma pseudobatalha em defesa da família brasileira, os líderes religiosos evangélicos e católicos não compareceram na quantidade desejada à igreja de Feliciano em Ribeirão Preto, na noite passada. Coube a um grupo de cerca de 200 manifestantes quebrar a rotina.
A exemplo do que ocorrera na véspera, em Franca, o grupo brandiu cartazes e entoou refrões contra a permanência de Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. No interior do templo, o deputado-pastor liderou um culto, como costuma fazer às segundas-feiras. Não fosse pela algaravia externa, que atraiu a polícia e os repórteres para o local, o encontro teria passado despercebido.
Aos fiéis e a um grupo de cerca de três dezenas de pastores, Feliciano disse que não renunciará ao comanda da comissão. Em Brasília, seu partido, o PSC, não parecia tão convicto. Informou que reunirá a bancada nesta terça para rediscutir a encrenca. Um grupo expressivo de pastores divulgou carta aberta defendendo que Feliciano deixe o comando da comissão de Direitos Humanos.
Nesta quarta-feira, a comissão de Direitos Humanos realizará sua primeira reunião sob a presidência do pastor Feliciano. A pauta inclui: projeto do senador Paulo Paim (PT-RS) que define os crimes resultantes de discriminação e preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem; projeto que dispõe sobre convocação de plebiscito para decidir sobre a união civil de pessoas do mesmo sexo; proposta que prevê pena para a discriminação contra heterossexuais.
Na semana passada, Feliciano dissera que, a despeito de suas convicções pessoais, presidiria a comissão como um “magistrado”. No culto da noite passada, declarou que, se a homofobia virar crime no Brasil nos termos previstos num projeto que corre no Senado (122/2006), haverá uma “inquisição ao contrário, vão jogar nossas vidas na lama”.
Repisou que, em defesa da família, discorda dos que desejam tratar crianças de até seis anos como seres de sexualidade indefinida. Quem? Segundo Feliciano, o Ministério da Educação e o Conselho Federal de Psicologia desejariam isso. “Não posso concordar que uma criança toque no órgão genital da outra e não se fale nada. Se ensinamos o caminho que devem andar, elas não se desviarão dele”, disse o pastor. E suas ovelhas, em uníssono: “Aleluia”.
Feliciano monopolizou o microfone por cerca de 40 dos 90 minutos de duração do culto. Deixou o tempo antes do encerramento. Para evitar o contato com os manifestantes, saiu por uma porta lateral. (Josias de Souza)

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