Em
julgamento apertado, o STF optou por ficar do lado claro do mundo. Decidiu-se
que o CNJ (Conselho Nacional de Justiça podeinvestigar juízes suspeitos de desvio de função e
corrupção.
Esse entendimento luminoso passou por um triz. As sombras
perderam por seis votoscontra
cinco. Com isso, o CNJ pode tomar a iniciativa de levantar as togas escondidas
sob o corporativismo.
“Até as pedras
sabem que as corregedorias dos tribunais não funcionam quando se cuida de
investigar os próprios pares”, disse a certa altura da sessão o ministro Gilmar
Mendes.
Noutra decisão alvissareira, o Supremo manteve em pé
trecho de resolução do CNJ que determina: as sessões de julgamento de juízes
serão públicas.
Sim, sim. Sessões abertas.
A ministra
Cármen Lucia recordou: o Brasil vive sob democracia. Foram-se os tempos das
“catacumbas”. O colega Ayres Britto recordou frase atribuída a um juiz
americano.
Chama-se Louis Brandeis (1856-1941). Disse o seguinte: “A
luz do sol é o melhor dos desinfetantes.” Referia-se à necessidade de
transparência no sistema financeiro. Mas vale para qualquer seara.
Ao postar-se
do lado claro, ainda que em votação espremida, o STF golpeou aquela ideia de
que o Brasil está condenado ao pitoresco e à inviabilidade perpétua.
Ficou entendido que, quando o Supremo deixa, podemos ser
a nação de mulatos inzoneiros de que fala a canção de Ari Barroso sem virar uma
zona. Que venha o Carnaval.
Fonte: Diário do Nordeste
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