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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Casa da Moeda? É ‘crise fictícia’, decretou Jucá


Como se sabe, o governo levou a Casa da Moeda ao balcão de seco$ & molhados$ da política. Entregou a instituição secular aos cuidados do bom e velho PTB.

Deve-se ao senador Pedro Taques (PDT-MT) o mais preciso resumo da cena: “Entregou-se a fábrica de dinheiro de Tio Patinhas à gerência dos irmãos Metralha.”

Sob suspeita de ter remetido US$ 25 milhões a paraísos fiscais, o apadrinhado do PTB, Luiz Felipe Denucci, foi ao olho da rua. Demitiram-no às pressas, numa corrida da pasta da Fazenda contra uma manchete que saía do forno.

O fato intimou Guido Mantega a explicar-se. Nem conhecia Denucci, disse. Nomeou-o porque o PTB indicou. Mandachuva da legenda, Roberto Jefferson, negou. O partido apenas deu “aval” ao nome do ministro, declarou.

A oposição protocolou um par de requerimentos para ouvir Mantega. Num, Alvaro Dias (PR), líder do PSDB, pede que o ministro compareça ao Senado. Noutro, Mendonça Filho (DEM-PE) requer a presença dele na Câmara.

Líder de todos os governos, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) apressou-se em informar que o consórcio governista acionará sua maioria para brecar a aprovação dos requerimentos.

Jucá realçou que Denucci já “foi demitido.” Portanto, “o ministro não deve vir falar sobre esse caso. Essa é a orientação da base. Não temos que politizar esse fato e criar uma crise fictícia.”

Beleza. O governo entrega a Casa da Moeda a uma legenda com a fama do PTB e vem agora reclamar da “politização” da encrenca. Ora, francamente. Quando ouvir dos lábios do senador Jucá a expressão “crise fictícia”, cuidado. Um inimigo da transparência acaba de revelar-se.

Blog do Josias de Souza

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