O editorial da Folha de S. Paulo,
na manhã desta quinta-feira (5), trouxe a “insubordinação” da Polícia Militar
para mesa de debates e lamentou que o governador Cid Gomes tenha cedido ao
motim protagonizado pela classe. Agora, os 27 estados temem que a greve se
espalhe por todo o país. Confira na integra o editorial:
Mau
exemplo
É estarrecedor que a
população da quinta maior cidade do país tenha sido forçada a um toque de
recolher informal em plena luz do dia, aterrorizada por boatos sobre arrastões
e assassinatos.
Com ou sem esquemas
alternativos, é inadmissível uma paralisação de PMs. Por justas que possam ser
as reivindicações salariais, militares são proibidos pela Constituição, por
motivos óbvios, de praticar greve. Precisam, portanto, buscar outros meios de defender
seus interesses corporativos. Some-se a isso o
desrespeito à decisão da Justiça, que havia considerado a greve ilegal e
determinado o retorno imediato ao trabalho.
Nesse cenário, a
promessa de anistia aos envolvidos, no acordo que encerrou a greve, é um
equívoco. O governo, que cedeu na elevação do piso salarial de R$ 1.606 para R$
2.634 (mais que os atuais R$ 2.366 de São Paulo ou R$ 1.847 de Alagoas), tinha
o dever de punir ao menos os líderes do movimento, para deixar claro o quão
intolerável é esse tipo de conduta.
Tanto foi inoportuna
a decisão que os policiais civis animaram-se a anunciar, na sequência, uma
paralisação total até que suas reivindicações sejam atendidas. A leniênia do
governador Cid Gomes acabou, portanto, por prolongar o clima de insubordinação.
As forças de
segurança merecem salários dignos e boas condições de trabalho, mas não podem,
em busca de seus direitos, transformar os cidadãos em reféns. Pela natureza
essencial e particular de sua função, greves de policiais, civis ou militares,
são inaceitáveis.
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