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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Insubordinação e greve da Polícia Militar é criticada pelo jornal Folha de S.Paulo


O editorial da Folha de S. Paulo, na manhã desta quinta-feira (5), trouxe a “insubordinação” da Polícia Militar para mesa de debates e lamentou que o governador Cid Gomes tenha cedido ao motim protagonizado pela classe. Agora, os 27 estados temem que a greve se espalhe por todo o país. Confira na integra o editorial:

Mau exemplo
É estarrecedor que a população da quinta maior cidade do país tenha sido forçada a um toque de recolher informal em plena luz do dia, aterrorizada por boatos sobre arrastões e assassinatos.

Com ou sem esquemas alternativos, é inadmissível uma paralisação de PMs. Por justas que possam ser as reivindicações salariais, militares são proibidos pela Constituição, por motivos óbvios, de praticar greve. Precisam, portanto, buscar outros meios de defender seus interesses corporativos. Some-se a isso o desrespeito à decisão da Justiça, que havia considerado a greve ilegal e determinado o retorno imediato ao trabalho.

Nesse cenário, a promessa de anistia aos envolvidos, no acordo que encerrou a greve, é um equívoco. O governo, que cedeu na elevação do piso salarial de R$ 1.606 para R$ 2.634 (mais que os atuais R$ 2.366 de São Paulo ou R$ 1.847 de Alagoas), tinha o dever de punir ao menos os líderes do movimento, para deixar claro o quão intolerável é esse tipo de conduta.

Tanto foi inoportuna a decisão que os policiais civis animaram-se a anunciar, na sequência, uma paralisação total até que suas reivindicações sejam atendidas. A leniênia do governador Cid Gomes acabou, portanto, por prolongar o clima de insubordinação.

As forças de segurança merecem salários dignos e boas condições de trabalho, mas não podem, em busca de seus direitos, transformar os cidadãos em reféns. Pela natureza essencial e particular de sua função, greves de policiais, civis ou militares, são inaceitáveis.

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