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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Sobre a República, suas consequências e seus ruídos


 Certas datas, por solenes, exigem continência. É o caso do 15 de Novembro. Proclamação da República. Já lá se vão 122 anos.

República vem do latim respublica. Não confundir com rês manjada. É o tesouro público, o bem comum, não o quadrúpede cuja carne serve de alimento.

Sob o sistema republicano, o governo é eleito pelo povo. Depois, é reeleito. Mesmo que a emenda que criou a reeleição tenha sido comprada.

Numa República, todos são iguais perante a lei. Mas, ao menor cochilo da lei, uns tornam-se mais iguais que os outros.

Quando a lei acorda, o que só acontece de raro em raro, esconde-se a adaga e leva-se ao rosto um semblante de inocente.

Se você é patriota, grite: Viva a República. Ignore os ruídos que soam ao fundo. São barulhos de dois personagens se revirando no túmulo.

Um, o esqueleto do imperador Pedro II, se contorce de tanto rir. Outro, a ossada do marechal Deodoro da Fonseca, murmura: “Não é nada disso, nada disso!”

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