Certas datas, por solenes, exigem continência. É o caso do 15 de
Novembro. Proclamação da República. Já lá se vão 122 anos.
República vem do latim
respublica. Não confundir com rês manjada. É o tesouro público, o bem comum,
não o quadrúpede cuja carne serve de alimento.
Sob o sistema republicano, o governo é eleito pelo povo. Depois, é
reeleito. Mesmo que a emenda que criou a reeleição tenha sido comprada.
Numa República, todos são iguais
perante a lei. Mas, ao menor cochilo da lei, uns tornam-se mais iguais que os
outros.
Quando a lei acorda, o que só acontece de raro em raro, esconde-se a
adaga e leva-se ao rosto um semblante de inocente.
Se você é patriota, grite: Viva a
República. Ignore os ruídos que soam ao fundo. São barulhos de dois personagens
se revirando no túmulo.
Um, o esqueleto do imperador Pedro II, se contorce de tanto rir. Outro,
a ossada do marechal Deodoro da Fonseca, murmura: “Não é nada disso, nada
disso!”
Nenhum comentário:
Postar um comentário